É muito comum os pais notarem, nas primeiras fotos do bebê, um olho que parece “desviar” um pouco. A primeira reação costuma ser preocupação, mas nem sempre isso é motivo de alarme: nos primeiros meses de vida, um desalinhamento discreto e passageiro pode ser normal, enquanto o sistema visual do bebê ainda está amadurecendo.
A dúvida de quando é só fase e quando é estrabismo de verdade é uma das mais frequentes no consultório, e existe uma linha relativamente clara para diferenciar as duas situações.
Sou a Dra. Cinthia Storti, oftalmopediatra em Três Lagoas (MS), e neste texto explico quando o desvio ocular do bebê é esperado e quando merece avaliação.
Por que os olhos do bebê podem parecer desalinhados nos primeiros meses?
Até por volta dos 3 a 4 meses de idade, o controle muscular dos olhos ainda está em desenvolvimento, e é comum o bebê apresentar desvios leves e ocasionais, principalmente quando está cansado ou sonolento. Além disso, muitos bebês têm uma prega de pele extra no canto do olho (epicanto), que dá uma falsa impressão de estrabismo mesmo quando os olhos estão perfeitamente alinhados — o chamado pseudoestrabismo.
Como diferenciar pseudoestrabismo de estrabismo verdadeiro?
Em casa, é difícil ter certeza — e essa é exatamente a razão de o exame oftalmológico existir. Mas alguns pontos ajudam a levantar a suspeita:
- Pseudoestrabismo: o desvio aparente muda ou desaparece conforme o ângulo da foto ou do rosto do bebê
- Estrabismo verdadeiro: o desvio é visível de forma mais constante, em diferentes ângulos e situações
- Depois dos 4 meses, um desvio que continua presente na maior parte do tempo já não é considerado esperado
A confirmação vem sempre do exame, que avalia o alinhamento com testes específicos, e não só pela observação a olho nu.
Quando o estrabismo em bebês é motivo de atenção?
Vale procurar avaliação quando:
- O desvio persiste depois dos 4 meses de idade
- Um dos olhos desvia sempre para o mesmo lado, de forma constante
- O bebê inclina ou vira a cabeça para um lado para enxergar melhor
- Existe histórico de estrabismo na família
Por que não vale esperar “para ver se passa”?
O período em que a visão do bebê se desenvolve é limitado, e o estrabismo não tratado nessa fase pode levar à ambliopia, quando o cérebro passa a “ignorar” a imagem do olho desviado e a visão daquele olho para de se desenvolver normalmente. Quanto antes o estrabismo verdadeiro é identificado, maior a chance de tratamento simples e de bom resultado visual.
O que você não deve fazer
O erro mais comum é confiar só na opinião de familiares ou em comparações com outros bebês para decidir se é “só fase”. Também vale evitar esperar a criança crescer mais para procurar avaliação quando o desvio já passou dos 4 meses — esse é justamente o período em que agir cedo faz mais diferença.
Na dúvida, vale sempre avaliar
Se você tem dúvida sobre o alinhamento dos olhos do seu bebê, essa é exatamente a situação em que vale marcar uma consulta, em vez de esperar para ver se passa sozinho.
Agende sua consulta
Notou um possível desvio no olhar do seu bebê? Fale comigo e agende uma avaliação em Três Lagoas.
Escrito por Dra. Cinthia Santoro Storti Perez · Oftalmopediatra · CRM-MS 5879 · RQE 5149 · Título de Especialista pelo CBO.